Sistema de monitoramento antecipa presença de coral-sol e reduz impactos ambientais
Por : Patricia Lopes A preservação da biodiversidade marinha brasileira ganhou um importante aliado nos últimos anos: a ciência aplicada à detecção precoce de espécies invasoras. Entre os pesquisadores que vêm liderando esse avanço está Nemanja Jankovic, gerente de projetos e pesquisador em biotecnologia microbiana, profissional com mais de uma década de experiência em microbiologia […]
Por : Patricia Lopes
A preservação da biodiversidade marinha brasileira ganhou um importante aliado nos últimos anos: a ciência aplicada à detecção precoce de espécies invasoras. Entre os pesquisadores que vêm liderando esse avanço está Nemanja Jankovic, gerente de projetos e pesquisador em biotecnologia microbiana, profissional com mais de uma década de experiência em microbiologia aplicada e desenvolvimento de soluções biotecnológicas.
Membro da American Society for Microbiology, doutor em Ciências Biológicas, mestre em Pesquisa Biomédica com enfoque em Biotecnologia e graduado em Engenharia Química e Bioquímica, Jankovic esteve à frente do desenvolvimento de um sistema inovador para monitoramento e detecção precoce do coral-sol na costa brasileira, projeto realizado em colaboração com a Repsol Sinopec e uma equipe multidisciplinar formada por bioinformatas, biólogos moleculares e cientistas marinhos.
Mas, diante de tantos desafios ambientais que afetam o planeta, muitas pessoas se perguntam qual a importância prática de identificar um coral invasor antes que ele seja visto a olho nu.
Segundo Nemanja Jankovic, a resposta está diretamente ligada à preservação dos ecossistemas marinhos brasileiros.
“O coral-sol cresce rapidamente e ocupa espaços que deveriam ser utilizados por espécies nativas. Detectá-lo cedo significa impedir que ele se estabeleça e provoque impactos difíceis de reverter”, explica.
O coral-sol, pertencente ao gênero Tubastraea, é considerado uma das espécies invasoras mais preocupantes do litoral brasileiro. Sem predadores naturais na região, ele se espalha com facilidade, cobrindo rochas, recifes e estruturas submersas. Com isso, espécies nativas perdem espaço, alimento e condições adequadas para sobreviver.
Para enfrentar esse desafio, novas tecnologias vêm transformando a forma como os cientistas monitoram o ambiente marinho. Uma das mais promissoras utiliza análises de DNA ambiental, permitindo identificar a presença do coral-sol na água antes mesmo que colônias visíveis sejam encontradas.
“A grande vantagem da biotecnologia é antecipar problemas. Quando conseguimos detectar sinais da espécie invasora ainda no início da dispersão, as ações de controle se tornam muito mais eficientes”, afirma Jankovic.
O sistema desenvolvido sob sua coordenação utiliza ferramentas de diagnóstico molecular capazes de localizar vestígios genéticos deixados pelo organismo no ambiente. Na prática, isso permite identificar a chegada do invasor sem a necessidade de longas inspeções visuais em grandes áreas marítimas.
Além da tecnologia laboratorial, o monitoramento também conta com plataformas digitais e iniciativas participativas que ajudam pesquisadores e órgãos ambientais a acompanhar a expansão da espécie em tempo real.
“Muitas pessoas acreditam que a proteção dos oceanos acontece apenas quando o problema já está visível. Na verdade, os melhores resultados surgem quando atuamos antes que os danos apareçam”, destaca o pesquisador.
O trabalho de monitoramento precoce também fortalece as ações coordenadas por instituições públicas responsáveis pela proteção ambiental, permitindo respostas mais rápidas e direcionadas.
“Cada foco identificado no início representa uma oportunidade de proteger centenas de espécies que dependem daquele ecossistema para sobreviver”, ressalta.
Para Nemanja Jankovic, o avanço da biotecnologia abre novas possibilidades para a conservação ambiental e para a proteção dos recursos naturais brasileiros.
“A ciência oferece ferramentas cada vez mais precisas para proteger a biodiversidade. Quanto mais cedo identificamos uma ameaça, maiores são as chances de preservar o equilíbrio dos nossos oceanos para as próximas gerações”, conclui.
Com a combinação entre pesquisa científica, inovação tecnológica e monitoramento contínuo, iniciativas como essa demonstram que a prevenção continua sendo uma das estratégias mais eficazes para proteger a riqueza ambiental da costa brasileira.
